Gostou, curte aê

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

You Are Safe In My Heart And...

3 longos anos se passaram, queridos mortais...pra vocês é bastante tempo, pra mim nem tanto, mas ainda assim, para uma história pausada abruptamente é bom bocado de tempo. Para aqueles que não lembram, no remoto primeiro semestre de 2014 eu narrava a história de um rapaz chamado Denis Slayer. Denis tinha lá seus defeitos e suas crises adolescentes, mesmo estando já em seus 20 anos. Depois de um momento mágico com a garota de seus sonhos, Denis foi pego de surpresa por algo no mínimo inusitado. Para quem já leu e não lembra, abaixo teremos os links para facilitar o acesso aos posts relacionados a essa linda história. Para aqueles que não leram, recomendo ler porque o autor manda muito. E para quem não quer ler, enfia um rojão no cu e sai voando. Vamos continuar com o que acontece hoje em "Our history".


( LINKS OUR HISTORY 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 -7)

Shit Happens

O fim de semana seguia seu curso normal, com as familias pobres sendo ajudadas na tv pra tv ganhar audiencia, o Faustão interrompendo seus convidados e as pessoas começando a reclamar da rotina normal que viria com a segunda feira. Embora eu ainda não tenha lhes dito, eu trabalho como inspetor em uma escola da rede pública. Assim sendo, trabalho apenas na parte da manhã. Coincidentemente, minha querida e sacrossanta Stephany também estudava na parte da manhã, e isso maximizava o meu tempo com ela. Durante a segunda-feira, apesar do jeito que ela pulverizou minha alma no domingo, tivemos um dia normal. A conversa fluía normalmente, a vida fluía normalmente. 
Em um esforço para alcançar meus objetivos, com a frieza de um serial killer, eu tinha de mostrar que tudo estava ok. Eu precisava mostrar a ela que eu poderia e iria ser o amigo dela, mesmo machucado, para que ela visse que o beijo de sábado não foi um erro. Na minha mente inexperiente e apaixonada era exatamente isso o que eu precisava fazer, e eu vinha fazendo normalmente. Segunda, Terça... e Quarta. Quarta-feira foi que o barraco desabou, e eu vou lhes contar o porquê.
Embora eu não fale muito de outras pessoas nessa narrativa, talvez por preguiça de introduzir novos personagens, talvez por que eu não dividia meus sentimentos com ninguém e isso facilita você a entender como eu me sinto, haviam outras pessoas na pequena cidade além de mim e Stephany. Eu tinha amigos, conhecidos, desgostos e afinidades, como todo ser humano normal. 
Eu não sei como funciona na sua cidade, mas na minha, Quarta-feira a tarde é  dia de cinema barato, geralmente com um filme já saindo de cartaz. Meus colegas, cujos nomes nem interessam, decidiram se juntar pra ver o clássico navio afundar com Rose e Jack Dawson em 3D. Caso vocês não se lembrem, esse era um programa "meio casal" em quem alguém "não estava interessada". Mas mesmo vendo com os amigos, para pura apreciação do filme, eu queria assistí-lo. Bom, quarta-feira foi o dia de assistir como um Iceberg foi o vilão de 1912. 
Chegando no cinema, com meu grupo de colegas composto por 2 rapazes e 2 moças, estávamos todos animados para sofrer ao som de My heart will go on. Eu estava completamente tranquilo, externamente. Metade de mim estava apenas curtindo o momento e indo assistir a um bom filme, a outra metade estava pensando em como teria sido estar com a Teeeeh *-* naquele cinema, se apaixonando junto com ela pelo filme, e vivendo um momento não só meio casal, mas completamente. Entre um devaneio e outro, a realidade me bateu como o Hulk no Loki em Vingadores.
Diante dos meus olhos, pegando sua pipoca em todo seu brilho estava nada mais nada menos que Stephany. Ela ainda não havia notado minha presença, eu era mais um em um grupo de 5, e não me destacava muito naturalmente. Porém eu notei a dela. Ela ria como se não existissem problemas, como se a paz mundial houvesse sido alcançada. Do lado dela, rindo, falando, brincando, gesticulando e com o braço em volta de seus cabelos cacheados, DOS MEUS CABELOS CACHEADOS, estava um sujeito ridículo o bastante para usar um boné dentro de um ambiente fechado. Ele era pouco mais alto que ela, sua pele lembrava um boneco de neve depois do inverno de tão pálida. Ele tinha uma barba "por fazer" e uma postura e confiança que dariam inveja ao próprio James Bond. Enquanto eles pegavam sua pipoca coberta de queijo e bacon e se direcionavam para o filme, eu desejava não estar preso a terra pela força da gravidade naquele instante.
Eu deseja voar para longe dali, talvez até para o fundo do mar, localizar o titanic e me juntar ao jack, congelado a 3843 metros de profundidade. Eu desejava não ter ido ao cinema, mesmo que isso não fosse mudar o fato de que ela estava ali com o Tom Cruise de boné, mas eu pelo menos não saberia. E enquanto tudo isso acontecia dentro da minha mente, eu sorria, pegava minha entrada e ia me direcionando para pegar minha pipoca. Meus colegas jamais notaram algo de errado naquele momento, e como notariam? Eles não sabiam o que tinha acontecido entre nós, não sabiam que na minha mente existia um nós, ainda que ela mesma não soubesse. Eu me sentia como o palhaço rindo, divertindo a galera, e ao mesmo tempo morto por dentro, em direção ao Titanic. 
Subimos para a sala, e para minha sorte (ou azar), as luzes se apagaram pouco antes de eu entrar. Enquanto os traillers passavam, meus amigos iam procurando lugares, e como já estávamos em cima da hora, não conseguimos 5 assentos em fileira. 3 de nós se sentaram em uma fileira, e outros 2, eu e uma menina que em breve lhes apresentarei na fileira de trás. Como um bom amante do autoflagelação meus olhos não paravam de passear pela sala de cinema em busca dela. Não a vi, provavelmente estava em algum ponto atrás de mim, e com muita força de vontade consegui parar de procurar. Quando dei por mim Jack já havia ganhado sua passagem e estava subindo a bordo da viagem que findaria sua vida, com um sorriso no rosto. Me lembra eu quando comecei a falar com ela, com um sorriso no rosto, sem saber que naquele momento estaria morto por dentro.
Eu entendo que isso parece dramático demais, desgraçado leitor, mas peço que se lembre que estou a 7 capítulos narrando como eu me sinto e como vim a me sentir em relação a essa filha de Afrodite. Talvez hoje, digitando para que você possa ler, eu veja também certo exagero, mas naquele momento, meu desejo era de simplesmente deixar de existir para não sofrer. Era de brigar com meu cérebro, talvez arrancá-lo da cabeça, para não ter que pensar e imaginar descontroladamente como aquele almofadinhas (sim, eu estou usando essa ofensa) está segurando as mãos dela, que eu deveria estar segurando. De como aquele Mr. Bean estava falando no ouvido dela enquanto ela ria, do jeito que eu deveria falar. Que aquele Leslie Nielsen estava beijando os lábios que eu deveria beijar. 
Eu não me lembro muito do filme em si, nem tenho certeza que o assisti, fui ter certeza apenas quando me vi chorando enquanto Jack afundava. Era tão triste ver seu sacrifício, sua morte ao encontrar seu grande amor na tela do cinema, e mais triste ainda foi quando eu olhei ao meu sudeste, e vi o amor da minha vida beijando um outro cara. Eu não estava chorando pelo filme, eu sabia disso, ainda sei mesmo hoje, mas a lágrima que desceu fria pelo meu rosto me marcou mais do que o naufrágio de milhares de transatlânticos poderiam.